Passos, sensibilidades e mistérios.
Relembro o último calor, o último suor sentido. A percepção dos sentidos é dramática. É uma sensibilidade que nos deixa perceber quando é a última vez.
Mas os mistérios continuam, acompanham o nosso passo. A solidão não é precária e faz a vida parar e encostar-se a uma esquina.
São momentos difíceis e tudo é tão genialmente doloroso quando não sai uma lágrima, nem um sopro de desabafo. Fica tudo preso e a escuridão agarra-nos ao mistério, ao segredo, ao nada.
A sensibilidade deixa-me saber que foi o último, não terei mais momentos. Fui feita para ter este coração difícil que não consegue chegar ao batimento certo, já não consegue.
Mas acalma-me a música e eu embalo a minha solidão na sua melodia.E desaparece o aperto do meu batimento errado e eu encontro o meu passo.
Falta-me a sensibilidade para um começo, para o encontro de outro passo solidário.

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